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Economista faz alerta sobre inadimplência no setor agrícola

O professor Guilherme Dias, da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (USP), alertou que a inadimplência no setor agrícola poderá "travar" a estrutura de empréstimos para o agronegócio. Ele fez a observação durante audiência pública realizada nesta terça-feira pela comissão especial da crise financeira na área de Agricultura, proposta pelo relator do colegiado, deputado Alberto Lupion (DEM-PR).
Ao afirmar que a inadimplência no crédito bancário limita a capacidade de produzir, Dias ressaltou que o setor agrícola já vinha sofrendo com esse problema há três anos. Agora, acrescentou, o problema poderá se agravar com a crise financeira mundial, e o produtor vai comprar menos insumos e produzir menos.
Mas, num cenário de crise, o economista considera salutar a redução da oferta de produtos agrícolas. "Não faz sentido falar em quebrar recorde de produção. Neste momento, aumentar a produção não é um bom negócio", acrescentou.
Capital de giro
O professor da USP observou que o capital de giro do produtor agrícola também poderá ficar comprometido pela redução na relação de troca e menor produtividade na safra 2008/09.
Segundo o economista, a previsão para o Brasil, nos próximos seis meses, é de queda de 10% do nível de atividade. E o preço das commodities agrícolas, no próximo semestre, ficará sem sustentação se não ocorrer uma redução no volume ofertado.
Mas, como a taxa de câmbio poderá se desvalorizar ainda mais, a agricultura poderá, na sua opinião, ganhar com isso em relação às outras atividades.
Restabelecer confiança
Guilherme Dias afirmou que existem dúvidas sobre a eficácia das medidas tomadas pelo governo americano contra a crise. Segundo o economista, restabelecer confiança entre a pessoa que faz poupança, o agente financeiro e o tomador de empréstimo "é mais demorado do que limpar uma carteira de títulos podres".
Mesmo que o governo americano tenha sucesso em seu esforço fiscal, reduzindo o desemprego potencial, explicou, restará um desequilíbrio externo muito elevado. "Um ajuste mais permanente, que recupere o pleno emprego, tem que contar com maior demanda internacional pelas exportações dos Estados Unidos. E isso ocorrerá apenas com acordo político cooperativo", sustentou.
Nova audiência
A comissão deverá ouvir amanhã o economista do BNDES José Roberto Afonso, assessor técnico da Comissão de Crise do Senado Federal. A audiência está marcada para as 14h30 no plenário 4.
Agência Câmara