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Opinião

27/01/2010

Plástico sustentável só depende de nós - A Tribuna 27/01/2010


Pensavam ingenuamente que, banindo os sacos plásticos, contribuiram para a preservação ambiental.
Essa fuga da racionalidade agravou-se depois de alguns governos estaduais e municipais tentarem obrigar o varejo a substituir as sacolinhas por sacolas oxidegradáveis, incorretamente denominados oxibiodegradáveis.
Não sabiam que os oxidegradáveis são danosos ao meio ambiente, por não serem passíveis de reciclagem mecânica e se converterem em um pó que poderá ser ingerido pela fauna e a contaminar os cursos d'água, comprometendo a qualidade de vida das gerações futuras.
O fato é que as sacolas plásticas tornaram-se indispensáveis à vida moderna. Práticas, econômicas, higiênicas, inertes, reutilizáveis e 100% recicláveis, as sacolinhas vieram para ficar.
Pesquisa feita pelo Ibope comprovou que 100% dos consumidores reutilizam as sacolinhas para acondicionar lixo doméstico e 71% as consideram a forma ideal de trabnsportar as compras.
Entretanto, dois fatores contribuíram para prejudicar essa percepção positiva. O mercado foi abastecido por sacolinhas que não atenderam à qualidade mínima exigida pela Norma Técnica ABNT 14.937. Isso obrigou os consumidores a colocarem um saco dentro do outro para carregar produtos mais pesados, ou usarem somente pela metade, gerando desperdício.
Outro fato foi o descarte incorreto das sacolas, principalmente em bairros desprovidos de coleta de lixo. Abandonados em sarjetas ou córregos d`água, esses sacos tornaram-se a parte visível de uma poluição causada pela falta de educação ambiental de boa parte da população e a ausência de coleta de lixo e de coleta seletiva. Com base nesse diagnóstico a indústria, em parceria com o varejo, lançou em 2007 o Programa de Qualidade e Consumo Responsável das Sacolas Plásticas. O programa é baseado no princípio dos 3R's - Reduzir o desperdício, Reutilizar e Reciclar.
No Programa, a distribuição de sacolas certificadas e a educação da população para usar integralmente a capacidade dessas embalagens otimizou sua utilização e gerou redução no consumo da ordem de 30% nas redes de supermercado envolvidas.
As sacolas também são sinônimos de energia. Mais de 30 países já adotaram a Reciclagem Ener~´etica para resolver a questão do lixo urbano e reaproveitar as sacolas.
No mundo, já são 850 usinas que transformam 150 milhões de toneladas de lixo por ano em energia, por meio de processamento não-poluente, no qual os plásticos são o combustível. Os resíduos gerados por uma cidade com 180 mil habitantes podem produzir energia suficiente para 56 mil pessoas.
A reciclagem Energética está prevista na Lei Estadual de Resíduos Sólidos de São Paulo, foi incorporada no projeto da Política Nacional de Resíduos Sólidos e o Brasil estuda sua viabilidade.
Dessa forma, estamos reintroduzindo a racionalidade no debate, com a mensagem de que os plásticos são, além de indispensáveis na vida moderna, totalmente sustentáveis. Só depende de nós aplicarmos os 3R´s na sua utilização.

Autor: Francisco de Assis Esmeraldo
A Tribuna - 27/01/2010

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