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Crise econômica e o ES (Deputado Lelo Coimbra)
O mundo está enfrentando uma crise econômica aguda, talvez a mais profunda desde a que culminou na quebra da Bolsa de Nova York, em 1929. As dificuldades atuais tiveram início, também nos EUA, em março de 2007, com o estouro da chamada “bolha hipotecária” e do “subprime” – um mercado que tomou forma há alguns anos, baseado na concessão de financiamento para aquisição de moradias de alto valor a pessoas que não tinham como honrá-lo. Os chamados empréstimos “sem renda, sem emprego e sem ativos”.
Essa crise se globalizou e está afetando o Brasil. Embora sejam maiores nos países mais desenvolvidos, os efeitos no nosso país podem ser agravados se, além das instituições financeiras, nosso sistema produtivo for afetado. Em particular, o setor exportador, de fundamental importância para a economia brasileira, é, até agora, o mais atingido, sobretudo pela redução substancial dos créditos, pela elevação do endividamento em função da acentuada desvalorização do real, e pela retração do consumo nos principais mercados consumidores.
Uma parcela significativa das exportações brasileiras – na forma de minério de ferro, aço e celulose, entre outros itens – é produzida no Espírito Santo, além de outras na Bahia e Rio Grande do Sul, e que é um símbolo do dinamismo das empresas brasileiras.
As atividades da Aracruz geram divisas, rendas, impostos e, sobretudo, empregos para o país. Com uma produção anual de 3,2 milhões de toneladas de celulose (98% delas é exportada para os cinco continentes), gerou, em 2007, cerca de R$ 4 bilhões de divisas para o país e arrecadou R$ 208 milhões em impostos.
Sua presença no Espírito Santo é fundamental para o desenvolvimento do estado. Dos 12.010 empregos diretos gerados pela empresa, 53% localizam-se no estado.
De acordo com estudo elaborado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em 2007, as atividades da empresa movimentam uma poderosa cadeia produtiva, que alavanca o desenvolvimento socioeconômico das regiões onde atua, sendo responsável por aproximadamente 100 mil postos de trabalho diretos e indiretos.
A Aracruz possui sólidos fundamentos, que a tornam uma das empresas mais competitivas e cobiçadas do mundo em seu setor. Nos últimos 12 anos, a Aracruz apresentou crescimento anual médio de 10% contribuindo sobremaneira para o atual estágio de desenvolvimento socioeconômico mundial.
Apesar das medidas adotadas pelo governo, a falta de crédito continua ameaçando todo o setor exportador, sendo vital o empenho do governo para resolver o problema.
A maior dificuldade da Aracruz associada à crise atual decorre da súbita sobrevalorização da moeda americana em relação ao real. Em um cenário de valorização do real, os custos operacionais das empresas exportadoras aumentaram ao mesmo tempo em que seu lucro era reduzido pela queda do dólar. Para enfrentar esta redução na margem operacional, as empresas tiveram que optar por alternativas de proteção cambial, a fim de alavancar seus resultados. Essas empresas, antes de mais nada, acreditaram na manutenção da tendência de valorização do real.
A Aracruz tem adotado as medidas necessárias no enfrentamento desta crise. Entre elas destacam-se severa contenção de custos em todas as operações, adiamento de novos investimentos e desaceleração nos projetos já iniciados. Entretanto, dada a importância da empresa nos municípios em que atua, não foram cortados os investimentos sociais em andamento demonstram postura responsável e atenda às dificuldades da sociedade brasileira.
Entretanto, não é apenas a adoção deste “remédio amargo” que trará a solução esperada. Para a recuperação da empresa, faz-se necessário o entendimento por parte do governo e dos diversos setores da sociedade brasileira, de que a Aracruz é uma empresa estratégica para o país, e de que uma solução sustentável precisa ser encontrada, de forma a que a Aracruz possa manter a sua capacidade de operar, investir, gerar empregos, impostos e divisas e de continuar a contribuir para o desenvolvimento dos estados onde opera e do país.
Desnecessário dizer que este não é um momento adequado para apontar erros ou culpados, uma vez que isso gera um clima de tensão e desconfiança, que serve apenas para desviar a energia e a atenção necessárias para superar este delicado momento vivido pela Aracruz e outras empresas exportadoras.
Apelo, portanto, ao governo e aos demais setores da sociedade, para que se unam e apóiem a Aracruz na busca de uma solução para os seus atuais problemas, na certeza de que o país ganhará muito com isso.